Por: Stephanie Catarino
Décima quinta caminhada pela paz, minhas intenções eram para que Cirineu se fizesse presente.
Minha sede era justiça, minha vontade era vingança, mas eu caminhava mesmo era pela paz. Meu argumento: ter tido um berço semelhante ao de Jesus.
A multidão se arrastava de baixo do sol quente. O branco simbolizava a paz. Os lábios secos cantavam uma espécie de hino, tentando sensibilizar as potências do estado.
A frente um homem, um religioso como poucos que vi, preocupado com toda aquela gente, sem discurso. Na mão carregava um microfone e só pedia paz para periferia, quase que numa prece, que nos olhassem com calma. Pedia por aquela gente, por todos aqueles corações. Os olhares perdidos, a expressão sofrida de uma vida dura. Algumas medidas não correspondem às medidas da alma.
Naquelas pessoas quase tudo estava morto, menos a esperança e era o que as faziam acordar todos os dias, apesar dos pesares. Não é utopia: a gente precisa acreditar em alguma coisa.
Os olhos não desgrudavam das pessoas caminhando e pedindo paz em forma de canção, ainda que de uma forma tão desanimada. “Será que Deus se apega a estes detalhes?”, pensei.
Nas esquinas, algumas pessoas olhavam todo aquele movimento. Algumas apenas olhavam de longe, outras cruzavam os braços e comentavam; poucas entravam e caminhavam conosco. Por razões diferentes, obviamente. E ainda tinham os que riam e criticavam como se tudo que fazíamos fosse em vão. Coloquei força nas penas e levantei os braços balançando a fita branca que carregava, embora o que queria fosse vingança, ao poder estatal, pelos meus. Por que somos tão diferentes? Eu os vejo tão iguais!
Em relação à pobreza, que só tinha a ver com dinheiro, não havia silencio em meu coração. Cada batida eram tambores guiados pela emoção. Novamente, pus forças nas pernas e gritei à sociedade: “a periferia pede paz”.
A autora é estudante, enjoando de suas poesias, assim como enjoa em época de morango. Está pedindo conselho aos livros e tem como guia Jorge Amado.
