Por: Leonardo Alves de Moraes
Pude ficar ali, parado, observando aquela velha árvore, enquanto minha mãe com muito carinho cuidava do jazigo de meu irmão. Limpava, chorava e colocava belas flores…
Em três de novembro, em meu aniversário, mamãe fez um pedido para que eu a levasse ao cemitério. Ela queria muito visitar o túmulo. Como filho, eu não pude negar. Confesso que tive resistência de início. Não achava conveniente estar em um lugar como aquele no dia em que aniversariava.
Que ingênuo! Um lugar incrível e que me levou a refletir sobre o cotidiano. Ou melhor, a vida.
Lembrei-me do verso de uma música dO Rappa que gosto muito: “Às vezes eu falo com a vida, às vezes é ela quem diz…”. Não sei o que o autor quer dizer com isso, mas faço minha interpretação e reflito. A vida diz muito, pode ser dura, cruel, ou maravilhosa.
Vivemos de momentos. Sejam eles alegres, tristes, sérios, sorridentes, com família, com amigos. Enfim, vivemos!
Comecei a pensar sobre o que perdura: as coisas que conquistamos ou fazemos que vão se perpetuar. Sobre as oscilações: um dia está tudo bom; no outro, tudo muda. Existem momentos que muitos estão a sua volta, em outros, se vê sozinho. Hoje, você trabalha, amanhã está desempregado. Hoje, sorri, diverte, vai pra balada, bebe, fuma, cheira, “pega”; amanhã, o que te resta?
Lembrei de uma frase do Pequeno Príncipe: “te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Às vezes, vivemos o hoje como se não houvesse o amanhã. Nos saciamos por momentos efêmeros, agimos de forma imprudente e inconsequente.
É perigoso, pois os dias maus virão. Quem vai estar contigo? Quais as amizades que realmente valeu cultivar e valorizar? Quais momentos realmente foram bons? Quer saber? Não tenho respostas. Apenas aproveito para questionar, se não a ti, a mim mesmo.
Para o autor, é bom vivermos com muita circunspecção.

