Por: João Demetrio Calfat Neto
No mar, a lágrima
no cais, a trágica
noticia da morte.
No barco, descansa só
leve sono: da criança
óleo no convés sangra.
Capatazes e suas vorazes vozes estalam rompendo as fibras do pequeno. Suas costas jorram, seus olhos liquefazem-se; seus pensamentos buscam o colo de sua mãe mas não o encontra, ela havia sido morta na noite anterior quando resistiu à captura.
O estalar
por estar lá
deitado diante
do senhor; do chicote
do tremor; do serrote
que rompe sua carne
atravessa os seus ossos
e afoga-o no próprio sangue.
Pousa a nau na costa
da madeira de lei
da cana, do café
e prepara o solo
pra colher em tempo
quinhentos anos de monocultura
quinhentos anos de escravidão.
No fim do meu túnel havia uma luz, por alguns instantes ela me iluminou mas logo se foi e só restou a sombra. Estou acorrentado nesta caverna escura em busca de outras fontes que possam esclarecer a minha consciência, nem que seja por um instante, ou por uma fração deste. Sapere Aude!

