-Paulo Ricardo Zargolin · Corpo e Movimento · Pedagogia · UFSCar

Recordações de aluno

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Meu primeiro dia de aula, na educação infantil, foi muito conturbado: recordo-me que eu não queria ir aquele lugar tão diferente de minha casa, mas, meus pais – sobretudo a minha mãe – tentavam me convencer, apelando para a questão social, a possibilidade de conhecer novos “amiguinhos”, já que, naquela época, eu argumentava sobre o fato de que a aprendizagem poderia ocorrer no seio familiar.
De todo modo, fui “obrigado” a ir à escola e foi assim que me senti: forçado e contrariado. Assim sendo, não tive outra opção a não ser mostrar meu descontentamento. Não chorei ao ficar naquele ambiente, o que, como minha mãe advertira, não funcionaria, mas zombei das atividades propostas, discuti com a professora, impedi a realização de algumas brincadeiras, etc.
Lembro-me com clareza do instante em que observei meu avô, motorista da prefeitura à época, chegar transportando as mesinhas que ainda faltavam àquela escola. Pensei que ele havia vindo me “salvar” daquele “suplício”, mas, obviamente, estava enganado.
Houve um momento, porém, do qual gostei: o intervalo, no qual fora servida uma salada de diversas frutas, algo que me era bem familiar, já que não tínhamos dinheiro para doces.
Recordo-me também do instante em que minha mãe chegou para me buscar. Ela trazia dois bombons – que como acabei de frisar, era raridade – mas, logicamente, nunca os comi, como resultado do mau comportamento.
Hoje, divirto-me ao lembrar de caras e bocas que as outras mães fizeram ao ver a minha chegando. Elas comentavam, umas riam, outras ficavam preocupadas – talvez, por eu estar na mesma sala de seus filhos. Mas claramente, ouvia-se em coro: “Ela é a mãe dele?”.
Lógico que esse momento – um tanto traumático – serviu para que eu nunca mais repetisse um comportamento desagradável na escola. Ao contrário, com o tempo, fui desenvolvendo a habilidade da escrita. Tive professoras que quiseram me ajudar a publicar, mas os recursos eram restritos naqueles anos. Talvez por isso, eu tenha adiado o sonho de ser escritor e tenho buscado uma plena e solida formação de educador.
Então, preferi ser reconhecido por ser bom aluno. A mudança não ocorreu do dia para a noite. Houve momentos em que eu entregava todas as atividades, mas arrumava tempo para atrapalhar a aula. Isso foi mudando, muito embora minha personalidade não tenha sido alterada: continuo mantendo minhas necessidades mais intrínsecas acima dquilo que os outros esperam de mim..

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