Por: Paulo Ricardo Zargolin
De acordo com Freire (1982), “estudar é, realmente um trabalho difícil”. Para o autor, este ato “exige de quem o faz uma postura crítica sistemática”. Mais do que isso: “exige disciplina intelectual que ano se ganha a não ser praticando-a”.
E, assim como sugere o autor, é de suma importância que o estudo se dê sob uma visão crítica, sob a qual “o que estuda se sente desafiado pelo texto em sua totalidade e seu objetivo é apropriar-se de sua significação profunda”.
E esta postura crítica, sem dúvida, requer do indivíduo que se assuma o papel de sujeito deste ato; que seja uma atitude frente ao mundo; que o estudo de um tema específico exija do estudante que se ponha, tanto quanto possível, a par da bibliografia que se refere ao tema ou ao objeto de sua inquietude; que se assuma uma relação de diálogo com o autor do texto, cuja mediação se encontra nos temas de que ele trata; e que se t humildade.
Nesse sentido, Freire (1982) esclarece que “estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem, estudando, o escreveu”. E, portanto, “é perceber o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento”.
Analisando os escritos do autor e a entrevista feita com ele, é possível compreender também que o estudo sério de uma obra implica “não somente numa penetração crítica em seu conteúdo básico, mas também numa sensibilidade aguda, numa permanente inquietação intelectual, num estado de predisposição à busca”.
Além disso, a ideia de que os livros refletem o enfrentamento de seus autores com o mundo, e, propositalmente ou não expressando-o, de forma coesa ou deformada, é extremamente válida para que se possa ler, de fato, promovendo uma dialética entre os próprios pensamentos e os expressados por outros autores, com a possibilidade de abstrair-se às realidades e experiências vividas por outrem.
Toda esta reflexão trazida pelo autor permite com que o estudante – não só de Pedagogia – possa perceber que a realidade que o cerca não é a única forma de expressão que há e, que, portanto, em contato com o universo escolar, o indivíduo deve estar preparado – não só em teoria – para novas experiências e enfrentamentos com a finalidade de, a partir dessas vivências e da compreensão de ideias de autores – clássicos ou pesquisadores atuais -, formular sua ação profissional à medida que se depara com novas situações cotidianas.
REFERÊNCIA
FREIRE, Paulo. Considerações sobre o ato de estudar. In: Ação cultural para a liberdade e outros escritos. 6ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982, p. 9-12.

