Pra não dizer que não falei dos números

Por: Paulo Ricardo Zargolin

“A diferença não está na rosa branca nem na rosa vermelha, e se uma pessoa não coloca os objetos nessa relação a diferença não existe para ela”. Este pensamento trazido por Passos e Romanatto (2011, p. 41) faz-nos refletir sobre as capacidades da mente, sobre as possíveis fórmulas neurais que estabelecem relações em microssistemas e que, com isso, permitem séries incontáveis de ramificações relacionais concebidas pelo homem.

Toda a rede de ideologias, ciências e proposições criadas e difundidas pela humanidade tem suas manifestações garantidas em toda a forma de expressividade individual e social. Inúmeros textos, por exemplo, só fazem sentido quando entendidos em relação a outros textos, que funcionam como seu contexto. (SANTANA et al, 2011).

Nesse sentido, tais relações podem e devem ser concebidas por todos e, portanto, a educação, no contexto escolar, faz-se necessária, uma vez que permite e estimula o aprendizado a partir das ciências transmitidas por professores, fazendo com que o aluno seja capaz de estabelecer cada vez mais relações com o mundo físico e com a sociedade, valendo-se de pensamentos coerentes, racionais e/ou lógico-matemáticos.

Para Papalia, Olds e Feldman (2006, p. 284), estudiosas do desenvolvimento humano,

aos 3 e 4 anos, as crianças já expressam palavras para comparar qualidades. Podem dizer que uma árvore é maior do que outra, ou que uma xícara contém mais suco do que outra. Sabem que, se têm uma bolacha e depois pegam outra, têm mais bolachas do que antes, e que, se dão uma bolacha para outra criança, ficam com menos bolachas (grifos meus).

É importante destacar que esse conhecimento quantitativo parece ser universal, embora se desenvolva em ritmos diferentes, dependendo do quão importante é contar em uma determinada família ou cultura.

Além disso, Piaget faz-nos um alerta quanto à centração: a tendência de se concentrar em um aspecto de uma situação e negligenciar outros (PAPALIA, OLDS e FELDMAN, 2006). Acredita-se que os pré-escolares chegam a conclusões ilógicas porque não conseguem descentrar, isto é, pensar sobre vários aspectos de uma situação ao mesmo tempo.

 Visto que a centração também pode limitar o pensamento das crianças pequenas tanto sobre as relações físicas como sociais, cabe ao professor compreender que se deve seguir com “os amores na mente, as flores no chão”, com “a certeza na frente, a história na mão”, sempre “aprendendo e ensinando uma nova lição”, valendo-se da racionalidade e do apego à teoria Pedagógica. E, para tanto, a compreensão básica de conceitos matemáticos é fundamental.

REFERÊNCIAS

PASSOS, C. L. B.; ROMANATTO, M. C. A Matemática na formação de professores dos anos iniciais: aspectos teóricos e metodológicos. São Carlos: EdUFSCar, 2011. 69 p. (Coleção UAB-UFSCar).

PAPALIA, D. E; OLDS, S. W.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano. 8.ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 2006. 888p.

SANTANA, A. A.; ARAÚJO, J. de J. P.; JESUS, L. K. A.; SANTANA, T. de O. O contexto e o intertexto na música Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré. Revista Graduando, n. 2, jan./jun., 2011. Disponível aqui. Acesso em: 14 fev. 2014.

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