Por: Paulo Ricardo Zargolin
A relação direta entre Educação e Desenvolvimento é apontada por pensadores sociais, como Florestan Fernandes, segundo o qual “o grau de desenvolvimento em que se encontra um país tem sua expressão pedagógica ou escolar em índices numéricos” e que “nos países desenvolvidos (…) observam-se tendências muito nítidas à eliminação do analfabetismo, à crescente escolarização da população infantil e adolescente, ao aumento progressivo da escolaridade média”. (BASTOS, 1957, p.30 apud SILVÉRIO, 2012).
Silvério (2012) ensina que perguntar e problematizar os objetivos e valores embutidos e disseminados pelo projeto educacional em vigor é também perguntar que “Brasil” está sendo consolidado. E mais, é perceber para quem, ou melhor, quais grupos sociais compartilham e vivenciam os bons resultados desse desenvolvimento e quais grupos permanecem à margem, discriminados material e simbolicamente do plano ideal de desenvolvimento e integração social do país.
Porém, para que o Brasil empreenda reformas educacionais urgentes que resultem na garantia do acesso generalizado à educação básica, no fim da cultura da repetência escolar, na melhoria da qualidade do ensino, na valorização do professor, na modernização da educação profissional e superior e no combate ao analfabetismo dentre outras relevantes medidas.
De acordo com Gualtieri (2008, p. 94), o ideário eugenista foi, muitas vezes, também tomado como referencial para a construção ou o reforço de identidades nacionais. Entre o final do século 19 e o início do 20, não era raro o entendimento de que uma nação, para se consolidar, dependeria da existência de língua e cultura comuns e uma população homogênea. Para Silvério (2012) quando a democracia racial passa a fundamentar a lógica de pensamento sobre o nacional, a educação não mais necessita se configurar pelo comprometimento com um modelo higienista, pautado em modelos de socialização fundamentados pela lógica eurocêntrica, ou seja, um modelo masculino, europeu, branco, heterossexual e ocidental.
Vimos também que a educação adota, a partir da democracia racial, um caráter pluralista, que até os dias atuais tenta-se combater. É possível notarmos na construção de inúmeros documentos legais, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a inexistência de medidas direcionadas especificamente a políticas que pensam a partir do reconhecimento e da valorização da diferença.
Conclui-se que a Educação tem uma forte característica conservadora, embora também possa promover transformações, o que faz dela um fundamental elemento político para o desenvolvimento social e econômico de uma nação e que o grande caminho para enfrentar a marginalidade educacional, social e econômica é assistir melhor à escola, investindo mais no ensino, e melhorando o salário dos professores, para que, estimulados, assumam maior compromisso com a educação.
REFERÊNCIAS
GUALTIERI, R.C.E. Educar para regenerar e selecionar. convergências entre os ideários eugênico e educacional no Brasil. Estudos de Sociologia, Araraquara, v.13, n.25, p.91-110, 2008. Disponível aqui. Acesso em: 08 abr. 2012.
SILVÉRIO, Valter Roberto (Org.). Sociologia aplicada à Educação. In: __________. Guia de Estudos de Sociologia da Educação. Disponível aqui. Acesso em 08 abr. 2012.
