Por: Paulo Ricardo Zargolin
O surgimento da Sociologia ocorreu sob a desagregação da sociedade feudal e da consolidação da civilização capitalista, como pano de fundo. Vimos que, com a revolução industrial, houve a implantação de máquinas a vapor e dos aperfeiçoamentos da produção, e consequentemente, o desemprego. A revolução democrática francesa instaurou uma nova ordem, com muitos seguidores e desencadeia um colapso na sociedade, rompendo com valores antigos concernentes à antiga ordem europeia, calcada em valores feudais.
Assim, devido a consequência e a transformação geradas pela revolução democrática francesa e pela revolução industrial, essa corrente científica, que representa a manifestação do pensamento moderno, consolidou-se.
Na cena da novela Caminho das Índias, há, implicitamente, dois eventos relacionados à divergência de opiniões entre o mundo tradicional e o mundo moderno, que estão fortemente ligados às revoluções as quais nos referimos anteriormente.
De um lado, encontramos a individualização, representada pela personagem Duda (Tania Khalill), que destaca “a emancipação do individuo, a valorização da sua individualidade, a obstrução a desvalorização dos costumes, do respeito moral, dos valores tradicionais e a generalização, um referencial individual, desvalorizando o relacionamento familiar”.
Em contra partida, deparamo-nos também com a valorização dos valores tradicionais, quando Raj (Rodrigo Lombardi), demonstra respeito e valorização pela a opinião da família.
Refletindo sobre este contexto, tentemos compreender o que a sociedade representa para cada um dos autores clássicos da Sociologia: Durkheim, que defende a ordem social como uma preocupação constante; Marx, que conceitua a sociedade a partir da economia; e Weber, na defesa das várias dimensões que dão forma à sociedade.
Durkheim foi o responsável por consolidar a sSciologia como disciplina acadêmica. Para ele, devemos compreender a Consciência Coletiva, que é “o conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade formando um sistema determinado que tem sua vida própria”. Concomitantemente, faz relações à existência de uma Consciência Individual, caracterizada pela personalidade de cada um, ainda que todos partilhem de alguns valores e sentimentos em comum.
Para Marx, o conceito de classe social é totalmente ligado à economia. Daí, o determinismo econômico, sob o qual “o senso econômico-produtivo determina e fundamenta a sociedade, condicionando todas as outras instituições normatizadoras sociais, como a escola, a política, a religião, entre outras”
Já para Weber a concepção de sociedade é determinada por várias dimensões, tais como: valores, bens, costumes, desejos, poder de compra, Mercado, entre outros.
No que concerne à educação, para Durkeim, representa a socialização, um processos onde os indivíduos aprendem a ser parte da sociedade e a viver nela, sendo obrigada a aprender regras, costumes. Enquanto que, para Marx, a educação serviria para destruir a alienação da classe trabalhadora. Já para Weber, a educação é um fator de estratificação social, tendo três principais finalidades: despertar o carisma, preparar o estudante para uma conduta de vida e transmitir conhecimento especializado, servindo de moeda para a obtenção de empregos e de meio de seleção cultural.
Para os referidos autores, a educação prepara para a vida em sociedade, o que pode ser entendido como uma convergência entre eles. Contudo, o papel da educação é que sofre uma pequena variação, tal como descrito anteriormente.
Bourdieu compartilha com Durkheim uma filosofia racionalista do conhecimento como aplicação metódica da razão e da observação empírica ao reino social, aplicação esta que exige, de um lado, em todos os momentos, uma suspeita em relação ao pensamento comum e às ilusões que este engendra continuamente e, de outro, um esforço ininterrupto de (des/re)construção analítica única capaz de extrair do abundante emaranhado do real as “causas internas e as forças impessoais ocultas que movem os indivíduos e as coletividades”.
Além do resgate do pensamento originário de Marx, Gramsci procura destacar a especificidade, a originalidade e a maior consistência da filosofia da práxis em relação às outras filosofias. Preocupa-se, então, em colocar em evidência a autonomia, o pensamento novo e independente de um “marxismo que contém em si todos os elementos fundamentais de uma concepção global de mundo, que renova completamente a maneira de entender a sociologia”.
Já entre Weber e Mannhein, percebe-se que acreditam que a educação prepara para a vida em sociedade. Contudo, Mannheim acredita em uma liberdade individual, enquanto Weber, apesar de acreditar na individualidade, defende também o coletivo.
REFERÊNCIA
SILVÉRIO, Valter. Sociologia da educação. São Carlos: EdUFSCar, 2010.
