Diferenças entre Ciência e Tecnologia

Por: Paulo Ricardo Zargolin

De acordo com Kneller (1980 apud PERDIGÃO, CALZOLARI-NETO e CAMARGO, 2014, p. 22):

a tecnologia é essencialmente uma atividade prática, a qual consiste  mais em alterar do que compreender o mundo. Onde a Ciência  persegue a verdade, a tecnologia prega a eficiência. Enquanto a  Ciência procura formular as leis em que a natureza obedece, a  tecnologia utiliza essas formulações para criar implementos e  aparelhos que façam a natureza obedecer ao homem. Tal como a  Ciência, entretanto, a tecnologia é uma entidade imensamente  complexa que consiste em fenômenos de muitas espécies –  agentes, instituições, produtos, conhecimentos e técnicas.

Sendo assim, a identificação da tecnologia como atividade humana historicamente em desenvolvimento para suprir necessidades práticas, transformar a natureza para que o ser humano a controle, não a restringe como uma consequência da produção de conhecimentos científicos.

A tecnologia ou o desenvolvimento de produtos e processos, historicamente, pode ser representada, por exemplo, pela criação da roda, da máquina a vapor, dos  sistemas de irrigação etc. (PERDIGÃO, CALZOLARI-NETO e CAMARGO, 2014).

Podemos citar outros exemplos de tecnologias como as clássicas (agricultura, construção, astronomia, roupa, fogo, medicina, mineração, transportes, escrita), as avançadas (hidráulica, pneumática, genética, biotecnologia, armazenamento de energia, purificação de água, etc), as de comunicação (vídeo, reprodução de música, gravação digital, fotografia, internet, etc) e as tecnologias elétricas fundamentais (eletricidade, resistor, indutor, energia elétrica, capacitor, motor elétrico, tecnologia de informação, semicondutor, informática, etc).

Lacey (1999 apud YANARICO, 2011, p. 101) diz que a tecnologia forneceria recursos para a ciência, isto é, a menção do papel de alguns artefatos tecnológicos em fornecer modelos para a ciência, usando como ilustração o caso dos relógios mecânicos para a fase inicial da física moderna, e o computador digital para ciência cognitiva sugerida nas ultimas décadas. Esta primeira tese mostra, não apenas a tecnologia dependente da ciência, mas também vice-versa; os dois domínios, portanto, seriam interdependentes.

É sabido que a meta tradicional da ciência era a verdade através do método, em particular a teoria científica verdadeira. A objetividade e o rigor seriam os atributos desse conhecimento. Por outro lado, a função da tecnologia se vincula à realização de procedimentos e produtos para o consumo mercantil, cujo ideal é a utilidade, logo a inovação e o progresso através da eficácia. A tecnologia só teria o papel de procedimentos operativos úteis desde o ponto de vista prático para determinados fins e ela seria neutra e aplicável em toda as sociedades, independente dos valores que as comunidades possam sustentar.

Conclui-se, então, que a tecnologia também serve à ciência de várias formas, sendo a mais evidente, a de construir com o instrumental necessário para a realização dos experimentos e observações científicos e, no caso dos computadores, de funcionar também como instrumento para realização de cálculos e outras manipulações simbólicas envolvidos no trabalho teórico.

REFERÊNCIAS

PERDIGÃO, A. L. R. V.; CALZOLARI-NETO, A. J.; CAMARGO,  C. C. de. Ciências Naturais: ensino na perspectiva de formação para a cidadania. Disponível aqui. Acesso em: 28 abr. 2014.

YANARICO, A. A. Uma Tecnociência para o Bem-estar Social. Revist@ do Observatório do Movimento pela Tecnologia Social da América Latina, v. 1, n. 1, jul. 2011, p. 99-120. Disponível aqui. Acesso em: 28 abr. 2014.

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