Por: Paulo Ricardo Zargolin
Para ensinar Ciências Naturais nos primeiros anos do Ensino Fundamental é necessário que o professor saiba que a meta tradicional da ciência resume-se em estabelecer a verdade através do método, e, em particular, a teoria científica verdadeira.
Pela objetividade e pelo rigor, que são atributos do conhecimento científico, observamos a necessidade de um ensino em uma perspectiva cultural de aprendizagem que defenda a não-distorção dos conhecimentos científicos e um ensino baseado nas relações existentes entre Ciência, Tecnologia e Sociedade, considerando que a função da tecnologia se vincula à realização de procedimentos e produtos para o consumo mercantil, cujo ideal é a utilidade, logo a inovação e o progresso através da eficácia.
Obviamente, durante o processo de ensino-aprendizagem, não é necessário buscar formar todos os estudantes para que sejam cientistas, mas sim para que tenham condições de se posicionar de forma crítica na sociedade, pois, assim como afirmam os PCN, que dedicam especial atenção ao tema do ensino de Ciências e a formação para a cidadania, “numa sociedade em que se convive com a supervalorização do conhecimento científico e com a crescente intervenção da tecnologia no dia-a-dia, não é possível pensar na formação de um cidadão crítico à margem do saber científico” (BRASIL, 1997 apud PERDIGÃO, CALZOLARI-NETO e CAMARGO, 2014, p. 1).
Compreende-se também que o ensino de Ciências, na perspectiva de formar cidadãos capazes de analisar, de forma crítica, as relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade, não pode furtar-se de considerar as relações entre produção científica e tecnológica, educação escolar e o modelo socioeconômico de desenvolvimento.
E vimos com Perdigão, Calzolari-Neto e Camargo (2014, p. 16) que
a formação para a cidadania vai muito além dos conteúdos tradicionalmente considerados escolares. O exercício da cidadania não implica apenas no domínio de um conjunto de conhecimentos em Ciências. O que fazer com tais conhecimentos tem a ver com as disposições internas do sujeito: para a crítica ou para a aceitação; para a acomodação ou para a transformação; para a inserção em uma lógica produtiva injusta e desigual ou para a transformação desta ordem.
Os referidos autores (2014, p. 11) acrescentam que, quando pensamos em um ensino de Ciências que possa contribuir para a formação de cidadãos críticos, estamos nos referindo à dimensão moral da formação escolar. E “formar cidadãos implica na formação de determinados valores, práticas e atitudes que extrapolam a dimensão racional da formação escolar” como o domínio de determinados instrumentos cognitivos, como conteúdos conceituais e procedimentais.
REFERÊNCIAS
PERDIGÃO, A. L. R. V.; CALZOLARI-NETO, A. J.; CAMARGO, C. C. de. Ciências Naturais: ensino na perspectiva de formação para a cidadania. Disponível aqui. Acesso em: 27 mai. 2014.

