Por: Paulo Ricardo Zargolin
Iniciei minhas postagens, fazendo uma síntese das discussões travadas nos primeiros dias do Fórum, no intuito de compreender melhor os aspectos mais relevantes que precisavam ser debatidos.
Indiquei um dos possíveis caminhos para a reflexão sobre os temas.
Inicialmente, para falar sobre as experiências na EMEF Desembargador Amorim Lima, recortei as falas dos colegas Osmar e Zulma, que bem descreveram a instituição mencionada:
Uma escola sem paredes, não há séries, ciclos, turmas, anos, manuais, testes e aulas. Os alunos se agrupam de acordo com os interesses comuns para desenvolver projetos de pesquisa. Há também os estudos individuais, depois compartilhados com os colegas. Os estudantes podem recorrer a qualquer professor para solicitar suas respostas. Se eles não conseguem responder, os encaminham a um especialista.
Vimos que, nessa escola, “as crianças são estimuladas a ter responsabilidade para executar as tarefas, exercitam valores como disciplina, trabalho em equipe e diálogo” (Tania) e que a “educação não é só ensino, “matéria”, aprender a ler e escrever é essencial, porém a preocupação maior é com a formação do aluno enquanto ser humano, com a formação em valores, a autonomia e respeito aos colegas” (Depoimento da Profª Silvia citado por Sirlene). Assim, “conclui-se que houve mudança no papel do professor e também do aluno.” (Osmar).
Quanto as considerações feitas sobre a escola da Ponte, a colega Zulma aponta que a instituição “acredita de fato na criança, na sua potencialidade de aprender e aprender, uma escola que todo professor sonha, mas não acredita que exista”. A Daniela acrescentou que “este processo de educação é o certo, é o ideal. A inclusão de todos de forma harmônica, respeitando o tempo dos alunos, os interesses, as habilidades, oposto ao nosso sistema de linha de produção” ainda que haja o “receio de que vai virar bagunça, ninguém vai aprender”…
Para a Tânia, neste formato de ensino “o professor torna-se um formulador de problemas, provocador de situações, um arquiteto de percursos, um agenciador da construção do conhecimento na experiência viva da sala de aula. Um desafio que se coloca ao educador nos tempos de interatividade”.
Assim como vislumbrado pelo Osmar e pela Ednéia, também posso dizer que “saltou-me aos olhos a descoberta de um velho segredo em qualquer atividade, mas que é imprescindível na aprendizagem em sala de aula: manter nos alunos o interesse pela aula”, porque “são os próprios alunos que, com avidez, buscam o aprendizado”.
Ednéia e Daniela citam Rubem Alves, que diz que “as crianças são curiosas naturalmente e têm o desejo de aprender, mas, seu interesse natural desaparece quando, nas escolas, a sua curiosidade é sufocada pelos programas impostos pela burocracia governamental” e que “a escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir”.
No fórum, eu expus que as colocações das colegas são assertivas, porque transmitem a sensação que todos nós, educadores, temos ao olhar para uma escola como esta apresentada no vídeo.
Ao ler todas as contribuições feitas pelos colegas, deparei-me com algumas observações que merecem destaque, ora pela simplicidade ora pela corpulência, mas com um conteúdo fabuloso.
A colega Silvana disse que: “nossos jovens são globais e não ‘tribais’”, explicando que “a escola como é concebida atualmente está mesmo com os dias contados”. Dadas as evidências, fica difícil discordar da nossa colega, porque, assim como dito e repetido por todos neste fórum, o modelo apresentado nas escolas Amorim e da Ponte realmente é fascinante.
Neste contexto, tal como dito pela colega Márcia, discutimos, junto aos vídeos analisados, “a centralidade do professor e gestor comprometidos com uma escola democrática a serviço da formação de qualidade dos estudantes; o papel da escola na formação dos alunos; o olhar atento às demandas sociais das comunidades escolares, no caso, uma comunidade muito carente de recursos materiais básicos”.
Zulma acrescentou que “o ensino vem mudando e deixando o modelo antigo de ensino e nos precisamos sempre esta em estudo constante”. E embora a Silvana exponha o fato de que “ainda é muito complexo ensinar e aprender desconectado de paradigmas tão enraizados em nossa formação”, Tânia nos diz que “em aulas práticas e em aulas de campo, as crianças são estimuladas a empregarem a percepção no intuito de observar e descrever o que vivenciaram, procuram identificar elementos que se relacionam com os objetos de estudos”.
Para o colega Osmar, “nas escolas tradicionais o professor especialista dá uma matéria por vez para alunos separados em turmas homogêneas” e, nesse sentido, Ednéia acrescenta que “não passa de um grave equívoco a ideia de que se poderá construir uma sociedade de indivíduos personalizados, participantes e democráticos enquanto a escolaridade for concebida como um mero adestramento cognitivo”.
Vimos e concordamos, sim, que “ensinar é muito mais que transmitir conhecimentos, sendo uma interação constate onde todos devem propiciar ensinamentos acontecendo uma troca de saberes sendo papel do professor criar questionamentos levando o aluno a procura de respostas sendo o professor um mediador da aprendizagem do seu aluno”, como nos diz a colega Zulma. E sabemos que “para que haja mudança e renovação, depende primeiramente das políticas públicas, além do método de ensino e formação dos professores cada um tem que fazer da sua parte, escola , professores, pais e direção”, como acordam Sirlene e Luila.
Mas também estamos cientes da fala de Nélio Bizzo, citada por Tania, que diz ser “preciso cuidado na hora de localizar nos professores as origens dos problemas da educação. A educação é problema complexo, você tem que mexer com muitas variáveis”.
REFERÊNCIAS
FÓRUM DE DISCUSSÕES. AIV-1 Fórum. Disponível apenas para alunos. Acesso em 15 mai. 2014.

