Por: Paulo Ricardo Zargolin
Iniciei minha participação no Fórum, procurando comparar os textos indicados para reflexão.
Callai (2005) em seu texto relata sobre a importância de compreender o espaço através da geografia e da alfabetização enfatizando que para que haja o exercício da cidadania é necessário saber ler o mundo, porém não de forma isolada e muito menos ignorando a compreensão do eu no mundo.
Para a colega Edneia, a autora “propõe para o ensino de geografia a leitura do espaço como base para compreensão de que as paisagens são resultado da vida em sociedade, dos homens na busca da sua sobrevivência e da satisfação de suas necessidades”.
Santos (2000), por sua vez, em minhas palavras, “apresenta a globalização de forma diferenciada, vista como fábula, perversidade e como possibilidade para outra globalização”. E a colega Edneia acrescenta que, no texto do autor,
verificamos a possibilidade de produção de um novo discurso a respeito da leitura do mundo, a partir da análise sobre três pontos de vista: a globalização como fábula; a globalização como perversidade; e uma outra globalização. Portanto, ambos os textos evidenciam a desconstrução de uma ideia de história e globalização únicas.
Destaco que “os textos que estamos estudando têm em comum o destaque para os espaços, que devem ser tratados de forma particular, não numa leitura única de mundo”.
No fórum, os colegas apontaram sua percepção quanto as formas de globalização idealizadas por Santos (2000).
A colega Mara Denize e eu fizemos a indicação de que a globalização como fábula “é percebida cada vez que enxergamos a realidade como uma fantasia, como se tudo fosse possível e tudo estivesse ao nosso alcance; seria simplesmente desejar e poder comprar, querer e ter e assim por diante, como dito pela mídia”. Já a a globalização como perversidade, dar-se-ia “cada vez que olhamos para o mundo e enxergamos tanta pobreza, tanta desigualdade social, causando baixas expectativas de vida; muitas doenças, causando males à população sem recursos; crianças e adultos fora da escola ou tendo uma educação precária; a moral e os bons costumes em baixa; muita corrupção, etc”. E uma outra globalização possível que seria “aquela onde o mundo fosse mais humano, mais unido, onde houvesse respeito à miscigenação de povos, raças, culturas, gostos, enfim este seria um mundo perfeito, onde todos pudessem ser felizes”.
A colega Silvana fez uma importante observação, dizendo que “podemos ler o mundo a partir dos espaços, suas ocupações e os caminhos que a ocupação humana ao longo da história”. E o Osmar acrescentou que
O ensino da geografia não pode ser limitado a uma visão ingênua acerca da globalização como uma resposta às demandas dos povos, mas, de forma crítica, deve levar os alunos a entender, primeiramente, o seu habitat, pois é ali que começa a construção da história das pessoas. Assim, uma educação de qualidade não pode ficar restrita a absorver os conceitos frios das “maravilhas da globalização” como se fosse a solução de todos os problemas, mas a educação deve ser direcionada para formar cidadãos emancipados. Foi muito feliz Milton Santos ao repudiar com veemência a globalização do “faz de conta” que alcança os já privilegiados do mundo e a globalização da ganância dos que já habitam o topo da pirâmide social.
Juntamente com a colega Silvia Helene, foi possível chegar à conclusão de que “é preciso ensinar Geografia mostrando através de diálogo e reflexão a sua importância na formação do cidadão, além de estudar o espaço e o meio em que vivemos” e de que há “a importância de incluir uma geografia que ao ler o mundo da vida, ler o espaço, compreender e de reconhecermos como cidadãos e de sermos agentes atuantes na construção do espaço em que vivemos ampliando fronteiras”.
REFERÊNCIAS
CALLAI, H. C. Aprendendo a ler o mundo: a geografia nos anos iniciais do Ensino Fundamental. (2005). Disponível aqui. Acesso em: 22 abr. 2014.
FÓRUM DE DISCUSSÕES. AI-3 Fórum: Lugar/Mundo. Disponível apenas para alunos. Acesso em 22 abr. 2014.
SANTOS, M. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. (2000). Disponível aqui. Acesso em: 22 abr. 2014.

