Por: Paulo Ricardo Zargolin
De acordo com Marigo e Braga (2011), as explicações que envolvem os motivos pelos quais pesquisas são realizadas sempre se referem às escolhas teórico-metodológicas que fazemos para estudar, compreender e analisar uma dada realidade. As autoras acrescentam ainda que estas escolhas “refletem uma maneira de estar no mundo, de construí-lo e reconstruí-lo com quem vive a dimensão da realidade a ser estudada” (p. 43).
Considerando-a processual, histórica, dinâmica, objetiva e subjetiva, concomitantemente, a pesquisa educacional, traz abordagens teórico-científicas, que possuem uma relação interna com dimensões ontológicas, epistemológicas e metodológicas, que servem de base para a análise do contexto social, sua interpretação, seus interesses e suas expectativas (MARIGO e BRAGA, 2011).
Nesse sentido, assim como explicitam as referidas autoras. a metodologia, tomada num sentido amplo da pesquisa dentro de seu contexto histórico corresponde a diversas abordagens teórico-científicas que orientam o processo de investigação e, portanto,
[…] há necessidade de compreendermos a metodologia enquanto um processo articulador entre teoria e prática. Investigamos com o objetivo de conhecer cientificamente a realidade objetiva e social. Para tanto, utilizamo-nos da elaboração de um planejamento com a utilização das técnicas para a concretização dos objetivos predeterminados, que requer alguns questionamentos iniciais […] Questionamentos estes que dizem respeito a uma percepção crítica e interpretativa da realidade empírica, que deve ser sempre mediada de forma reflexiva e contextualizada (FREIRE, 2005 apud MARIGO e BRAGA, 2011, p. 44-45).
Obviamente que, assim como ocorre com qualquer outra metodologia a ser escolhida, a opção pelo método qualitativo se faz após a definição do problema e do estabelecimento dos objetivos da pesquisa que se quer realizar.
Uma vez escolhida, é necessário compreender que, na pesquisa qualitativa, encontrar-se-ão variados tipos de investigação, apoiados em diferentes quadros de orientação teórica e metodológica, tais como o interacionismo simbólico, a etnometodologia, o materialismo dialético e a fenomenologia.
Para Godoy (1995), essa diversidade de enfoques muitas vezes confunde e dificulta a leitura de livros, obras de referência e artigos de pesquisa na área. “Nota-se que o vocabulário específico nem sempre apresenta a uniformidade esperada pelo leitor, não sendo incomum encontrarmos uma mesma palavra com diferentes significados, dependendo do autor que a utiliza, do ano em que o texto foi escrito e do campo de estudo enfocado” (p. 58).
Nas análises de Bogdan & Biklen (1994 apud MARIGO e BRAGA, 2011, p. 54), a pesquisa qualitativa apresenta cinco características centrais, quais sejam: o envolvimento do(a) pesquisador(a) na coleta de dados; a descrição dos fenômenos; a ênfase ao processo; a análise indutiva; e a preocupação com o significado.
Godoy (1995) acrescenta que há alguns aspectos essenciais identificam os estudos qualitativos, tais como: o fato de terem o ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como instrumento fundamental; ser descritivos; o significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida são a preocupação essencial do investigador; e a utilização do enfoque indutivo na análise de dados.
Entende-se, pois, que, quando o estudo é de caráter descritivo e o que se busca é o entendimento do fenômeno como um todo, na sua complexidade, é possível que uma análise qualitativa seja a mais indicada. Ainda quando a preocupação for a compreensão da teia de relações sociais e culturais que se estabelecem no interior das escolas e demais organizações, o trabalho qualitativo pode oferecer interessantes e relevantes dados.
Assim, pode-se concluir que, no estudo de Pedagogia, a abordagem qualitativa, por meio de seus diferentes subtipos de pesquisa, tem lugar assegurado como uma forma viável e promissora de trabalhar, haja vista que, em função da natureza do problema que se quer estudar e das questões e objetivos que orientam a investigação, a opção pelo enfoque qualitativo muitas vezes torna-se a mais apropriada.
REFERÊNCIAS
GODOY, A. S. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 35, n. 2, p. 57-63 mar./abr., 1995. Disponível aqui. Acesso em: 06 fev. 2014.
MARIGO, A. F. C.; BRAGA. F. M. Em busca do conhecimento em educação: fundamentos do trabalho acadêmico-científico. EdUFSCar : São Carlos, 2011. (Coleção UAB/UFSCar). 92p.

