Quadro síntese sobre posturas de pesquisas

POSTURAS DE PESQUISA NA ÁREA EDUCACIONAL

  Observar Entrevistar Documentar
Finalidade

Descrição de comportamentos, de ações, de atitudes e de valores próprios do sujeito e do contexto ao qual pertence.

A entrevista estruturada permite avaliar as variações das respostas.

A entrevista semiestruturada visa à obtenção de resultados uniformes entre os entrevistados, permitindo assim uma comparação imediata, em geral mediante tratamentos estatísticos.

Já a entrevista em profundidade permite conhecer os significados que os(as) participantes atribuem à sua vida e às suas experiências em uma determinada realidade.

A análise documental busca identificar informações factuais nos documentos a partir de questões ou hipóteses de interesse.

Características Quem pesquisa pode desenvolver três tipos de papéis: 1. Participante total, no qual o(a) pesquisador(a) torna-se um membro do grupo, mas sem revelar sua verdadeira identidade nem o propósito do estudo, o que o deixa com acesso limitado às relações do grupo com o sistema social mais amplo. 2. Participante como observador, no qual (a) pesquisador(a) revela apenas parte do que pretende, pois tem por preocupação não provocar muitas alterações no comportamento do grupo observado. 3. Observador total, no qual não há nenhum tipo de interação entre pesquisador(a) e pessoas investigadas. A entrevista estruturada possui um roteiro fechado, muito próximo ao usado na aplicação de um questionário.Já a entrevista semiestruturada parte de certos questionamentos básicos, porém, o roteiro aqui não é aplicado rigidamente, permitindo que quem entrevista faça novas interrogativas e adaptações, provenientes das respostas dadas pelas pessoas entrevistadas, a partir de um conhecimento prévio que o(a) pesquisador(a) já obteve sobre o contexto, configurando-se como uma das técnicas mais utilizadas em pesquisa qualitativa pela flexibilidade que apresenta. E, na entrevista em profundidade, as interpretações são construídas a partir da relação dialógica entre sujeito investigador e sujeito participante. Aproxima-se muito da pesquisa bibliográfica, porém, com uma diferença importante: o da natureza das fontes. A análise documental recorre a materiais que ainda não receberam tratamento científico, ou seja, são fontes primárias – dados originais, a partir dos quais o pesquisador tem uma relação direta com os fatos a serem analisados.
Registros A diferença entre pesquisador(a) e participantes da pesquisa se pauta na ação a ser realizada por cada pessoa a partir da análise sociológica em torno de um mesmo objeto da realidade. O(A) pesquisador(a) vai agir por meio da produção de conhecimento, dentro do campo da ciência, e as pessoas envolvidas na investigação vão agir diretamente na transformação dos aspectos da realidade que considerarem problemáticos.

Quando atribuímos aos atores a mesma competência de julgamento da que nós fazemos uso como intérpretes, renunciamos à imunidade que até este momento nos vinha metodologicamente assegurada. Vemo-nos forçados a participar em atitude realizativa no processo de entendimento que tratamos de descrever.

As entrevistas podem ser descritivas, muito utilizadas em estudos fenomenológicos, em busca de atingir, com máxima clareza, a compreensão sobre os fenômenos sociais focalizados. E também podem ser explicativas ou causais, se aplicadas dentro da abordagem sociocrítica, uma vez que tendem a levar as pessoas entrevistadas a um processo de conscientização e de esclarecimentos diante das possibilidades de transformação de determinado fenômeno. A análise documental se apresenta como uma técnica bastante recomendável para que o(a) pesquisador(a) conheça em profundidade o contexto estudado.

 

Cuidados Numa observação participante, por exemplo, há diálogo e negociação entre pesquisador(a) e participantes, porém, não de forma igualitária, uma vez que quem pesquisa é visto como pessoa mais esclarecida que pode fazer com que os sujeitos saiam de uma situação de ignorância para criar uma autoconsciência da realidade social e para desenvolver sua capacidade para transformá-la. Já na observação comunicativa, quando descrevemos um comportamento em termos de ação comunicativa, nossos próprios pressupostos ontológicos não são mais complexos que aqueles que atribuímos ao ator. Pode-se considerar como um principal cuidado o fato de que as questões de uma entrevista refletem as escolhas do(a) pesquisador(a), mediadas pela suas concepções teórico-metodológicas.

Há que se ter cuidado para não utilizar fontes secundárias, pois compreendem a pesquisa de segunda mão, ou seja, são as informações já trabalhadas por outros pesquisadores e estudiosos e, por isso, já é do domínio científico.

Fontes consultadas: MARIGO, A. F. C.; BRAGA. F. M. Em busca do conhecimento em educação: fundamentos do trabalho acadêmico-científico. EdUFSCar : São Carlos, 2011. (Coleção UAB/UFSCar). 92p.

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