BELINTANE, Claudemir. Por uma ambiência de formação contínua de professores.
O artigo de Belintane (2002) propõe uma aproximação consistente entre projetos de formação contínua e uso de redes informacionais no campo da educação. Além disso, sugere o conceito de ambiência de formação contínua como forma de garantir um espaço de mobilização em torno da ideia de formação em serviço, para que os projetos tenham como ponto de partida as próprias demandas da comunidade.
O trabalho tem como objetivo expor algumas sugestões para a constituição de um modelo de formação contínua que leve em consideração a complexidade do processo quando uma rede de educadores assume o compromisso de planejar sua dinâmica de formação, levando em conta os potenciais das novas tecnologias e as demandas concretas advindas do cotidiano escolar.
Quanto aos problemas e questões investigadas, no campo da formação contínua, o artigo salienta que os formadores universitários “demasiadamente presos ao modelo presencial, que ancora boa parte do processo educacional na verborragia do formador e no eixo teórico por ele escolhido” nem sempre estão preparados para conhecer e para conceber novas possibilidades e modelos para o campo, “sobretudo quando estão em jogo as potencialidades das novas tecnologias” (BELINTANE, 2002, p. 179).
Outro problema, segundo o autor, é que,
apesar de sustentar um discurso progressista, a verticalidade do processo é sempre mantida, ou seja, é sempre um grupo de professores universitários que vai dizer, nomear e tematizar as demandas e necessidades desta ou daquela rede escolar. Em última instância, são seu programa, sua bibliografia, suas concepções que, em geral, se sobrepõem aos reclamos dos professores em formação. Ainda que, em alguns casos, sondagens prévias sejam realizadas para avaliar tais demandas, o que acaba prevalecendo é a inserção de um discurso universitário (linhas e concepções pedagógicas) do qual os professores em formação captam alguns jargões e algumas técnicas isoladas (BELINTANE, 2002, p. 179).
Para a realização dessa pesquisa, o autor faz uma consistente revisão bibliográfica somada a pesquisas de campo “realizadas em várias redes escolares sobre expectativas de professores” (BELINTANE, 2002, p. 180).
O artigo, portanto, vislumbra novas possibilidades de conjugação de projetos de formação contínua, de pesquisa acadêmica e de autorias em rede, ressaltando a importância de uma gestão contextualizada de conhecimentos em rede, explícita e democrática o suficiente para permitir que a escola ou rede escolar seja um locus privilegiado de pesquisa, de ação pedagógica e de autorias descentralizadas.
E como principais resultados, o trabalho aponta que a formulação de uma ambiência de formação contínua traz também um profícuo campo de pesquisa interdisciplinar entre a educação e a informática, cuja preocupação fundamental seria o trabalho contextualizado de pesquisar ferramentas e arquiteturas de interfaces gráficas que, diferentemente das existentes no mercado, procurem favorecer as ambiências coletivas de trabalho, de formação e de autorias coletivas.
Creio que este trabalho contribui sobre meus pensamentos a respeito do tema “formação docente e a importância de práticas reflexivas”, porque abre perspectivas para uma escola autônoma e mobilizada, assume novas possibilidades de tratar o conhecimento e projeta uma intensa dinâmica entre pesquisa educacional acadêmica e em redes escolares. Também o considero importante porque, como diz Belintane (2002, p. 192), “as novas tecnologias, sobretudo as redes informacionais, a cada dia, popularizam uma novidade impossível e engendram transformações de hábitos e atitudes que até mesmo os mais céticos são obrigados a reconhecer e a aderir”, uma temática recorrente ao longo de minha formação e que, por conseguinte, desejo estudar.
REFERÊNCIA
BELINTANE, Claudemir. Por uma ambiência de formação contínua de professores. Cad. Pesqui. 2002, n. 117, pp. 177-193. Disponível aqui. Acesso em 06 mar. 2014.

