Um espaço de partilha

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Organizar uma roda para conversar traz inúmeros significados. Um deles resume-se no fato de que as opiniões dos alunos passam a ser consideradas importantes e valorizadas. Há interação professor/aluno e aluno/aluno, o diálogo e também a possibilidade de criar hipóteses. Sobretudo na Educação Infantil, as crianças estão em uma fase onde criam hipóteses, procuram respostas e, nesse caso, o professor como mediador pode levar a construção do conhecimento.

Segundo De Chiaro e Leitão (2005), a argumentação, entendida como “uma atividade social e discursiva, caracterizada pela justificação de pontos de vista e consideração de perspectivas contrárias com o objetivo de promover mudanças nas representações dos participantes sobre o tema discutido”, assume uma dimensão privilegiada como recurso de mediação em processos de construção de conhecimento.

É comum reunir as crianças para informar sobre algo que está acontecendo na escola e que todos precisam saber principalmente em período de festa, também quando se quer explicar uma atividade ou uma leitura, essa prática pode levar a construção do conhecimento quando bem planejada, quando o professor pode reunir os alunos para que possam trocar ideias, conversar, falar sobre situações que vivenciaram, levando-os a se socializarem e também a aprenderem.

É nesse momento que os professores têm a oportunidade de trabalhar Ciências Naturais, é o momento em que eles contam sobre o cachorrinho de estimação, sobre situações de higiene, e o professor pode aproveitar o momento para inserir os assuntos referentes a ciências naturais como o meio ambiente, animais, higiene, saúde. O professor pode também trazer assuntos previamente planejados a roda de conversa, a leitura de um livro que trate de determinado assunto, onde ele estimulara a conversa através de perguntas as crianças onde elas formularão hipóteses para responder até chegar ao conhecimento e a uma reposta satisfatória.

Compreende-se, então que são grandes as contribuições das rodas de conversas. E isto pode ser elucidado nas palavras de Bizzo (2009, p.15-16),

Não se admite mais que o ensino de ciências deva limitar-se a transmitir aos alunos notícias sobre os produtos da Ciência. (…). O ensino de ciências deve, sobretudo, proporcionar a todos os estudantes a oportunidade de desenvolver capacidades que neles despertem a inquietação diante do desconhecido, buscando explicações lógicas e razoáveis, amparadas em elementos tangíveis, de maneira testável. Assim, os estudantes poderão desenvolver posturas críticas, realizar julgamentos e tomar decisões fundadas em critérios, tanto quanto possível objetivos, defensáveis, baseados em conhecimentos compartilhados por uma comunidade escolarizada definida de forma ampla.

A roda de conversa poderá ser então a mola propulsora do desenvolvimento de capacidades, pois ela proporciona aos alunos a oportunidade de se reunirem  para compartilhar, discutir, dividir alguma coisa, brincar ou se divertir juntas, criando assim possibilidades de conhecimento.

É importante, no entanto, que o professor, ao propiciar tais rodas, tenha em mente, a descontração e o prazer do aluno, mediando para que haja um diálogo agradável onde o propósito da roda permaneça constante na medida em que haja liberdade para que as crianças possam opinar, dar ideias, rir, brincar, e, principalmente, aprender.

É adequado, portanto, que se conceba um espaço de partilha, de confrontos de ideias, onde a liberdade da fala e da expressão proporcione ao grupo e a cada individuo o crescimento educacional que lhes é devido.

REFERÊNCIAS

BIZZO, N. Ciências: fácil ou difícil?. São Paulo: Biruta, 2009.

DE CHIARO, S.; LEITÃO, S. O papel do professor na construção discursiva da argumentação em sala de aula. Psicologia: Reflexão e Crítica. Porto Alegre, n. 18, v. 3, p. 350-357, 2005.

Fediverse reactions

Descubra mais sobre logosgrafia

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre logosgrafia

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Descubra mais sobre logosgrafia

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo