Por: Paulo Ricardo Zargolin
Sob consultoria da musicista Ieda Felipe1
Abaixo, é possível ouvir duas canções. A letra, de minha autoria, inspirada na canção “Está en tí“, de Marco Antonio Solís, com versos em português em adaptações distintas. Tanto em um “gospel country” quanto em um “fado estilizado”, os arranjos e vozes foram inteiramente produzidos por Inteligência Artificial.
A coragem de transformar em música algumas ideias que, até então, estavam apenas rascunhadas em um bloco de notas surgiu deste vídeo de Leon Martins e Nilce Moretto, dissertando sobre algumas IAs que estão sendo implementadas no cotidiano e vêm gerando preocupações devido aos riscos de seu uso de maneira indiscriminada. (Como mencionado em meu post de reestreia).
Se desejar, tire um momento para apreciar as duas canções, que – entre outras que eu desenvolvi junto ao software e serão temas de futuros escritos -, versa sobre a crença em uma divindade que nos guia, um criador ou, como expresso no título, “o artesão”. Coincidência? Não! Apenas uma escolha editorial…
De qual você gostou mais? Ou detestou as duas? Percebeu as falhas da máquina? Em quanto tempo a IA que permitiu a criação dessas obras poderia se aperfeiçoar? E mesmo que o faça, a criação humana poderia ser superada?
Para refletir sobre essas e outras questões, convido à leitura das palavras da educadora e musicista Ieda Felipe:
A inteligência musical, conforme definida por Howard Gardner, e a inteligência criativa, segundo Robert Sternberg, envolvem a habilidade de interpretar e diferenciar timbres, melodias e ritmos. Essas habilidades permitem não apenas a execução e criação de música por meio de instrumentos, mas também o desenvolvimento de competências como sensibilidade ao ritmo, ao tom e ao timbre. Além disso, as habilidades motoras, de escuta, cognição, musicalidade e criatividade são fundamentais para a expressão musical humana.
Em contraste, a inteligência artificial na música, muitas vezes vista como uma forma “enlatada”, possibilita a qualquer indivíduo com acesso a um computador compor obras sem necessariamente entender os conceitos musicais subjacentes. Essa facilidade traz questionamentos sobre a perda da essência humana na música, a sensibilidade e as emoções que um músico transmite.
A arte musical, que alcança a alma e pode transmitir cura, jamais deveria ser totalmente substituída pela inteligência artificial. A tecnologia, por sua vez, deve somar e ampliar nossos conhecimentos e é crucial que não substitua a essência humana que transpira através do fazer artístico (grifos meus).
Conclusão
A inteligência musical humana possui um valor inestimável que não pode ser replicado por máquinas. E você, leitor, já descobriu sua arte? Compartilhe-a e contribua para um mundo mais conectado pelo amor e pela expressão artística.
1Ieda Felipe tem se dedicado à educação musical por duas décadas, combinando sua paixão pela música com um profundo comprometimento com o desenvolvimento educacional e emocional de seus alunos. Com uma abordagem holística, ela continua a inspirar e educar novas gerações de músicos e indivíduos criativos.

