Por: Paulo Ricardo Zargolin
Ao ler o caso de ensino apresentado por Peres (Lucas e sua amada Dionéa, 2002), deparamo-nos com um zeitgeist comumente sentido por acadêmicos do último ano de um curso de licenciatura e/ou por professores recém-formados. E, infelizmente, há um clima de rivalidade entre veteranos e novatos. E esse mote leva-nos a uma reflexão: quem aprende com quem?
É muito interessante observar a motivação de Lucas. Mais impactante é percorrer o caminho que o menino cursou para descobrir mais e mais sobre a planta carnívora que o cativou: primeiro, ele a viu no videogame; questionou o pai, a avó, tios e tias; vasculhou livros e revistas e pediu para que seus familiares procurassem informações na internet; e, finalmente, ganhou um exemplar da plantinha como presente de aniversário. Porém, Peres (2002) expõe um grande problema que se constitui em uma rotina nas escolas: o interesse, a curiosidade, a motivação e a criatividade das crianças são podados para dar lugar às “aulas preparadas”.
Obviamente que as escolas possuem em seus currículos os parâmetros que sustentam as aulas e os temas que precisam ser trabalhados, evidenciando as habilidades e competências a serem desenvolvidas dentro de cada conteúdo. No entanto, a metodologia precisa ser repensada.
Peres (2002) expõe o caso de Amarilis, uma professora que pensa no currículo fixo, pré-moldado, que não pode ser preenchido por interesses dos alunos. Já Mariléa, a novata, recém-formada, pensou em dar atenção àquilo que motiva os alunos, unindo o útil ao chamativo.
As duas professoras nos ensinam importantes lições. Mas o que realmente é importante para aprender a ser professor? O ideal seria buscar um equilíbrio entre o currículo e o conteúdo que desperta o interesse de um ou mais alunos. Devemos reconhecer também que há conceitos e coisas que são desconhecidas para nós, enquanto professores, mas que podem ser muito comuns para alguns alunos. E, nesses casos, sim, eles é que podem nos ensinar.
Além disso, observamos com Peres (2002) como a participação da família incentivou o aprendizado do menino Lucas. Percebemos também que, no mundo contemporâneo, estamos abarrotados de informações por toda parte e que qualquer indivíduo pode ser capaz de correr atrás do que lhe interessa, assim como fizeram os familiares do nosso protagonista.
Assim sendo, o professor – novato ou veterano – está cada dia mais longe de ser o detentor do saber e precisa, sim, compreender de uma vez por todas a máxima de Esopo: “ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar”.
REFERÊNCIA
PERES, Selma Martines. Lucas e sua amada Dionéa. (2002). Disponível aqui. Acesso em 02 mai. 2014.

