Prato da Noite #06 — Negligência parental

Aline aguardava ser chamada numa clínica quando viu Marcel saindo da ala de Psicologia. Conhecia-o havia séculos, embora quase não o reconhecesse sem o velho entusiasmo profissional. Sentaram-se. Marcel confessou que estava deprimido. — Não consigo mais assustar criança nenhuma. — Aline estranhou. Ele fora um bicho-papão respeitadíssimo, especialista em cantos escuros, armários entreabertos e espaços sob a cama. — Eu me escondia, fazia um barulhinho, respirava perto do travesseiro… havia técnica. Hoje elas nem percebem que eu existo.

🍽️ O primeiro parágrafo é por conta da casa.

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