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Por: Paulo Ricardo Zargolin
Para dar início a essa reflexão, gostaria de dizer quão satisfeito estou por ter a oportunidade de cursar Escola e Diversidade durante esta graduação em Pedagogia. Adianto-me quanto às conclusões, dado que é de suma importância uma ação urgente e conscientizadora seja implementada nas escolas e, como não poderia ser diferente, é a partir da formação docente que trabalhos voltados para a erradicação das desigualdades sociais, sobretudo no que concerne às etnias, poderão ser viabilizados.
Nesta leitura pudemos compreender melhor o universo que permeia as relações histórico-sociais entre as comunidades indígenas, a população negra e os brancos em nosso país. Observamos que há verdades a serem investigadas e desafios a serem enfrentados, haja vista que a democracia social tratou-se de uma ilusão por longo tempo e, ainda hoje, há indivíduos que não têm consciência dos papéis sociais que desempenham em nossa sociedade.
Devo destacar a forma imparcial e intensa que podemos encontrar durante a leitura: essa escrita clara, concisa e repleta de argumentos e fundamentação relevante é, sem dúvida, uma ferramenta poderosíssima para um estudante que pretenda aprofundar-se nessa área tão respeitável. Digo isso, pois, de acordo com os fatos narrados, é possível que reflitamos sobre a necessidade de reaver direitos aos povos dantes ignorados e não compreendidos como cidadãos e, assim sendo, indubitavelmente, novos conhecimentos e pesquisas haverão de ser produzidos e, apenas estudiosos conscientes da grandeza desse campo poderão aventurar-se nessa empreita.
De fato, vejo a necessidade do estudo, pois, de um modo geral, a democracia racial que se pensou existir no Brasil, devido aos argumentos de Gilberto Freyre, fora assoalhada pelo pesquisador da UNESCO, Florestan Fernandes, que traçou conclusões mais fundamentadas, a partir das quais, hodiernamente, sabemos quão difundido fora o preconceito racial em nossa sociedade, bem como a ausência de políticas de integração dos ex-escravos ao novo sistema de trabalho, que consequentemente, resultou a situação marginalizada da população negra no plano econômico, político, social e cultural.
Com os indígenas, a negligência é dada da mesma maneira. Ainda que, atualmente, o governo esteja tentando pagar uma parcela da dívida que tem, tanto com os índios quanto com a população negra, nada do que se faça parece ter o poder de apagar o passado que ressoa na colonização de exploração e no trabalho escravo que, ao decorrer da linha da História, a sociedade brasileira foi contraindo.
Para piorar a situação, o mito da democracia social funcionava como uma ferramenta utilizada pela elite para dissimular as desigualdades e impedir que os membros das comunidades não-brancas tivessem consciência dos sutis mecanismos de exclusão da qual foram vítimas na sociedade (Munanga, 1999, apud. Barbosa, 2008).
É por isso que espero uma formação consistente que promova, a partir da conscientização de cada licenciando, um trabalho docente mais humano e reflexivo, sobretudo no que tange às nossas raízes históricas, enquanto brasileiros, e que, contribuam para um ensino mais imparcial, que evidencie as culturas das minorias étnico-raciais, buscando a descentralização e a verdadeira miscigenação do nosso povo.
Referência
BARBOSA, L.M.A. (Org). Educação e Diversidade: Relações Étnico-Raciais. EdUFSCar: São Carlos, 2008.

