-Colunistas · Ana Maria Rodrigues de Souza

Um arco-íris em mim

Por: Ana Maria Rodrigues de Souza

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Quando eu era criança, tinha um sonho. Queria ter um arco-íris só meu. Para realizar esse sonho, não media esforços. Você não imagina quanto esforço uma criança pode fazer para realizar aquilo que deseja. Pois bem, eu vivia sonhando com ele. Eu ansiava por ter um bem pertinho de mim. Desejava cada cor. E pensava assim: “Quando eu conseguir meu arco-íris, vou guardá-lo bem escondido, ninguém vai vê-lo. Quando todo mundo dormir eu vou colocar uma cor dentro da rede de cada um de meus irmãos”.

Mas, no mesmo instante, eu lembrava que tinha oito irmãos e o arco-íris só tinha sete cores. E lá vinha o grande problema: como fazer para dar uma cor ao irmão que iria ficar sem cor? Então eu pensei que poderia pegar um pouco de cada uma das cores e misturá-las, meu irmão ficaria com a cor mais bonita. Criança pensa cada bobagem, não é? Desse dia em diante, eu sempre ficava esperando aparecer um no céu, e, quando aparecia um daqueles bem bonitos, eu ficava só olhando. Arquitetava em minha mente uma maneira de pegá-lo pra mim. Eu ficava ali por horas e horas admirando. Observando. Desejando-o pra mim.

Quando o arco-íris começava a se desfazer, meu sonho ia junto com ele. Eu chorava porque acreditava que nunca mais veria um. Chorava porque não iria conseguir fazer a misturas das cores que tanto queria…

Certo dia, choveu muito durante toda manhã e bem no meio da tarde apareceu um lindo e maravilhoso arco que cruzava o céu de uma ponta a outra parecia até que Deus estava sorrindo pra mim. Lembro-me da minha felicidade, corria entre as folhagens ainda encharcadas e me molhava toda nas poças d’água que foram formadas no chão pela forte chuva que caíra.

Outra vez, vinha de uma viagem com minha mãe e avistamos um formoso arco, parecia até que tinha sido pintado a mão de tão lindo que era! Eu fiquei alucinada, ele parecia tão perto de nós! Na minha ingênua empolgação de criança, pedia ao motorista que fosse mais rápido! Mais rápido! E ele se desmanchava em gargalhadas e acelerava… Mas, por mais que ele pisasse fundo no acelerador, não conseguia chegar perto. E ele disse pra mim tudo o que eu não queria ouvir.

Eita galeguinha, o arco-íris é como a felicidade, quanto mais a gente pensa que está chegando perto dela, mais ela se afasta de nós”.

Os adultos que tinham conhecimento desse sonho sempre riam de mim e achavam graça quando eu dizia que um dia eu ia ter um arco-íris só meu. Hoje, eu ainda não entendo porque o meu sonho era motivo de risos.

Aprendi que nunca devemos rir do sonho de uma criança. Quer saber?! Eu nunca consegui alcançar um arco-íris, mas, aprendi a guardá-lo em mim. Aprendi que o arco-íris existe não para que o desejem, mas, para que nunca o deixem de buscá-lo. Tenho em mim um arco-íris lindo cheio de cores e amores, tem uma cor para cada pessoa e tem bastante amor para as pessoas que “vivem” e as que ainda hão de “viver em mim”.

A autora sempre preferiu ter os livros como seus amigos. Desde muito pequena, gostava de lê-los, mesmo sem saber ler. Criava as mais variadas histórias só observando as figuras. Nunca teve dúvidas de que ali era seu mundo.

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