Por: Paulo Ricardo Zargolin
O mundo é dos bobos. Algo assim já dizia Lispector. Só o bobo sabe viver bem. Ele prefere não ver ou ouvir certas coisas, faz de conta que não existe maldade e vive. Intensamente!
O esperto, não! Por se achar tão esperto, quer ver de tudo, ouvir tudo e falar até do que não sabe, vivendo uma intensa mentira, uma piada sem graça. Quer se passar por gentleman, mas a arrogância o impede e isto, que era uma tentativa de ser humanitário, deixa-o mais vulnerável.
Por isso, ser bobo é tão melhor. E para sê-lo não é preciso nem sentir-se como tal. É uma experiência única – é pra quem pode, não pra quem quer. E quem quer? Ora, os espertos, que acham que o mundo é deles, mas morrem de catapora ao verem um bobo sorrindo (e bobos sorriem por tudo, é uma dádiva!).
É daí que vem a bronca: espertos não conseguem sorrir, porque passam a vida cometendo espertezas, tecendo tramas, julgando e criticando tudo e todos e se esquecem do que realmente importa: viver.

