O que significa formar para a emancipação?

Há palavras que a educação utiliza tanto que parecem dispensar explicação.

Emancipação é uma delas.

Formar sujeitos autônomos. Desenvolver pensamento crítico. Educar para a cidadania.

É difícil discordar.

Como se reconhece uma pessoa intelectualmente emancipada?

Talvez a resposta comece pela capacidade de perceber que o mundo encontrado por nós não nasceu pronto.

Uma visita a Barocistão

Quem chegou até o sétimo capítulo de República de Barocistão possui uma vantagem sobre muitos barocistaneses: nós vimos a República sendo construída.

Vimos decisões adquirirem aparência de necessidade, adesões surgirem quando aderir começou a parecer conveniente e uma nova ordem ganhar normalidade enquanto seus participantes ainda aprendiam a se comportar dentro dela.

Barocistão poderia ter sido diferente.

Agora imaginemos uma criança nascida alguns anos depois. Ela encontraria instituições, autoridades, documentos e versões oficiais. Aprenderia um mundo que, para ela, sempre esteve ali.

Formá-la significaria apenas ensiná-la a viver bem em Barocistão? Ou também ajudá-la a compreender como Barocistão se tornou Barocistão?

É nesse intervalo que a ideia de emancipação começa a ganhar sentido.

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