As influências da cultura e do conhecimento sobre o currículo

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Como pudemos concluir ao longo dos estudos de Pedagogia, o currículo não é neutro. Vimos com Fragelli e Cardoso (2009) que ele é elaborado a partir de interesses e determinado de acordo com aspectos político-sociais. Além disso, para as mesmas autoras, que fundamentam essa resenha, o saber adquirido pelos indivíduos ocasiona mudanças em seus aspectos sociais, podendo aumentar ou diminuir o status e a possibilidade de inserção social.

Ainda é importante ressaltar que, de acordo com as referidas autoras (2009), o conteúdo estabelecido no currículo é previamente determinado e nem sempre atende aos interesses e necessidades dos alunos e professores que o contemplam por meio do processo de ensino-aprendizagem.

A constituição do currículo pode ser entendida a partir da reflexão trazida por Fragelli e Cardoso (2009), segundo as quais, o que se espera é que a escola consiga equilibrar o conteúdo e o método. Em outras palavras, definir qual saber será ministrado e qual a melhor maneira de fazê-lo. Além disso, é necessário também refletir sobre por quê, para quê e para quem ensinar. De acordo com essa perspectiva, é possível pensar em uma relação coesa e objetiva entre os meios – o quê e como – e os fins – para quê – da educação escolar.

As questões curriculares e suas respectivas análises, que reconhecem a existência das relações de poder são discutidas ao longo de um capítulo muito bem esmiuçado por Fragelli e Cardoso (2009).

Com as autoras, pode-se compreender também a relação conteúdo-método, que pressupõe uma relação entre o sujeito e o objeto, uma vez que o sujeito – aluno ou professor – estabelece contato direto com o conhecimento.

As autoras sugerem que é preciso entender a educação como um processo histórico e dinâmico, que se faz e se refaz diariamente. É possível que, daqui há algumas décadas, esses estudos tenham evoluído, avançado ou retrocedido, dependendo do contexto. Podem, inclusive, tornar-se obsoletos.

No que se diz respeito à cultura popular, faz-se saber que esta possui suas contradições: reflete aspectos políticos e ideológicos e, ao mesmo tempo em que se refere aos grupos “dominados”, também incorpora aspectos dos dominantes.

A respeito do percurso histórico sobre os estudos relacionados ao currículo, visando evidenciar suas transformações e seus conflitos, compreende-se que, com a leitura das explicações de Fragelli e Cardoso (2009), “a escola é um espaço onde o saber científico, acumulado socialmente e eleito como o que deve ser ensinado/transmitido e perpetuado, transforma-se em saber escolar”. Nesse aspecto, é ressaltado também que a educação brasileira e os estudos sobre o currículo sofrem, no Brasil, fortes influências das concepções curriculares das realidades norte-americana e europeia.

Enfim, conclui-se que o conhecimento é visto e entendido como o conteúdo a que o sujeito terá acesso. A forma como esse conteúdo será abordado em sala de aula, como ele será apropriado pelos sujeitos, passa pelo método, pelas diversificadas estratégias elaboradas e desenvolvidas para facilitar essa apropriação.


REFERÊNCIAS

FRAGELLI, P. Maria; CARDOSO, L. Cristina. Escola e currículos 1. v.1. EdUFSCar : São Carlos, 2009. p. 13-42.

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