Gênero e sexualidade: síntese e reflexões

Por: Paulo Ricardo Zargolin

A perspectiva sociocultural permite centrarmos nosso olhar nas formas de controle do corpo infantil, um processo social e culturalmente determinado, permeado por formas sutis, muitas vezes não percebidas. Poderíamos, então, dizer que as características tidas pela tradição como naturalmente masculinas ou femininas resultam de esforços diversos para distinguir corpos, comportamentos e habilidades de meninas e meninos. (VIANA e FINCO, 2009).

Viana e Finco (2009) questionam se, no campo das relações e dos comportamentos infantis, podemos mesmo supor que elas necessariamente preferem as bonecas e eles os carrinhos ou se elas foram feitas para brincar de roda e eles de futebol.

Creio que, tal como fora colocado no fórum, a concepção de estereótipos está relacionada ao fato de que, desde cedo, embutimos nas crianças coisas que meninos fazem, e coisas que meninas fazem. Em consonância com isso, para Viana e Finco (2009) a influência dos processos de socialização sobre a cognição, o comportamento e as habilidades motoras de ambos os sexos vem sendo reconhecida por pesquisadores de várias áreas.

Louro (2006) traz a concepção de que é relevante refletir sobre os modos como se regulam, se normatizam e se vigiam os sujeitos de diferentes gêneros, raças e classes nas suas formas de experimentar prazeres e desejos; refletir sobre as práticas que tais sujeitos põem em ação para responder a esses desejos, as práticas que acionam para se constituírem como homens e mulheres.

Podemos nos perguntar também, no âmbito dos modelos cognitivos, segundo Viana e Finco (2009), sobre a possibilidade de comprovar as diferenças no desempenho em matemática ou na capacidade de linguagem resultam de diferenças cerebrais de cada sexo, consideradas inatas.

Louro (2006) vê na sexualidade e/ou nas tensões em torno da sexualidade a constituição de “uma questão que vale a pena colocar em primeiro plano”, evidenciando que “nós nem mesmo compreendemos de um modo único o que vem a ser gênero ou sexualidade”.

A referida autora concebe que “essa diversidade, que pode, aos olhos de uns, parecer catastrófica, também pode, aos olhos de muitos, ser saudada como indicadora da vitalidade e da contemporaneidade dos campos teóricos e políticos a que nos dedicamos”.

Portanto, concordo com Viana e Finco (2006), quando dizem que ultrapassar a desigualdade de gênero pressupõe compreender o caráter social de sua produção, a maneira como nossa sociedade opõe, hierarquiza e naturaliza as diferenças entre os sexos, reduzindo-as às características físicas tidas como naturais e, consequentemente, imutáveis.

REFERÊNCIAS

VIANA, C; FINCO D. Meninos e Meninas na Educação Infantil: uma questão de gênero e poder. São Paulo, 2009. Disponível em <http://migre.me/9leTD> Acesso em 27 out. 2011.

LOURO, G.L. Gênero, sexualidade e educação: das afinidades políticas às tensões teórico-metodológicas. Minas Gerais, 2006. Disponível em <http://migre.me/9leVg> Acesso em 27 out. 2011.

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