Por Arielly Rocha Rodrigues e Steffani Isabeli de Souza
Texto produzido coletivamente durante a formação realizada no CEI Ana Souto Trevisan, em 8 de julho de 2026, e preparado para publicação no projeto VOZES.
As tecnologias podem ampliar a criatividade da educadora quando são compreendidas como ferramentas de apoio, e não como substitutas do pensamento. Na Educação Infantil, imaginar, interpretar e criar continuam sendo ações profundamente humanas, ligadas ao olhar sensível de quem convive com as crianças e acompanha suas descobertas.
A inteligência artificial pode sugerir caminhos, reorganizar ideias e ampliar repertórios, mas não ocupa o lugar de quem observa o cotidiano e transforma essas observações em propostas pedagógicas. Como sugere o texto Operador de imaginação, a tecnologia ganha sentido quando existe uma pessoa capaz de conduzi-la, questioná-la e decidir o que fazer com as possibilidades apresentadas.
Quando usada com intencionalidade, a tecnologia pode colaborar na organização de referências, na sistematização de registros, na elaboração de materiais e na ampliação de hipóteses para o planejamento. Isso não significa delegar à máquina a criação do trabalho docente, mas aproveitar seus recursos para qualificar o percurso de quem ensina.
O centro do processo continua sendo a educadora, que conhece seu grupo, reconhece as singularidades das crianças e decide o que faz sentido em cada contexto. É ela quem seleciona os recursos, define os objetivos e adapta as possibilidades às experiências vividas.
Na prática, a criatividade docente não nasce de comandos prontos, mas do encontro entre experiência, escuta e reflexão. A educadora imagina porque observa; interpreta porque compara, analisa e sente; cria porque articula repertório, intuição e conhecimento pedagógico.
Mesmo quando recorre à tecnologia, é ela quem escolhe o foco, acolhe o inesperado e reorganiza o percurso. A ferramenta pode abrir portas, mas quem atravessa, seleciona e atribui significado ao que encontra é a pessoa que ensina.
Também é importante lembrar que a inteligência artificial depende das informações que recebe. Um pedido superficial tende a produzir uma resposta igualmente superficial. Quando a educadora apresenta observações, objetivos, critérios e perguntas reais, a devolutiva pode se tornar mais útil e coerente com sua prática.
Isso demonstra que a qualidade do uso tecnológico está diretamente ligada à qualidade do olhar humano que o orienta. A máquina processa informações, mas não convive com as crianças, não percebe seus gestos e não reconhece, sozinha, aquilo que mobiliza cada grupo.
A tecnologia pode, portanto, ser uma aliada valiosa da prática pedagógica, desde que permaneça em seu devido lugar: como apoio. A imaginação docente não é algo que se terceiriza. Ela se alimenta da convivência com as crianças, da sensibilidade diante das experiências e da autoria construída no fazer cotidiano.
A máquina pode colaborar com o caminho. A criação, porém, continua sendo uma operação humana.
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